Biblioteca da Karen

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Saga de dragões por um brasileiro


 Se você se ater aos detalhes, não há como não perceber que Fábio Guolo participou de mesas de RPG. Muito da história de Draco Saga lembra o universo destes jogos.  A narrativa se desenvolve a partir do despertar de Drifr, o Sábio Dourado, que esteve em hibernação por algumas boas décadas. E, quando acorda, descobre que seu mundo não é mais o mesmo. O dragão percebe que há seres diferentes e a paisagem está mudando. 

Estes seres são os humanos, que por causa de um feitiço lançado por elfos, viajaram para o mundo estranho. Os dragões, temendo a extinção, resolvem declarar guerra. Mas, não em um conflito aberto, mas por meio de estratégias para levar os humanos à própria destruição. 

O autor deu um grande passo ao criar um universo para a sua história. Também mostrou talento para criar diferentes personagens. Não é um livro sobre a história de alguém.  Mas, sobre a saga de uma espécie que tenta impedir o próprio desaparecimento.  

O livro é narrado em primeira pessoa e algumas poucas vezes, há uma quebra na narrativa para o esclarecimento de alguns pontos da própria trama. Acredito que Fábio tenha um caminho a percorrer como escritor e aprimorar a técnica. Mas, o primeiro passo, que é  desenvolver uma história, ele já deu.  Em alguns parágrafos, encontrei algumas palavras repetidas e senti falta de parágrafos nas páginas. Mas, isto pode ser corrigida em uma nova edição.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma garota apaixonada em apuros #resenha


Com certeza você já deve ter passado por aquela “paixonite” durante a adolescência. Bom, é mais ou menos disso que trata o livro de Carolina Estrella, "Uma garota apaixonada em apuros". Com certeza se você tem entre 10 e 13 anos, vai gostar do livro. Confesso que não é muito o meu gênero.

Com o passar do tempo, você começa a imaginar que toda aquela paixãozinha é besteira, é algo bobo e transitório. Mas, é importante aquela experiência e um ensaio para a vida adulta. Talvez, você até se divirta com as confusões de Gabi e as tentativas bobas de chamar a atenção de Nelson.

Eu senti a falta de um background, falando sobre o passado da menina. Creio que não era esse o objetivo. A leitura do livro é fácil, rápida. A diagramação é fofa. O livro faz parte do booktour, Selo Brasileiro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Teia Virtual #resenha

Não é necessário dizer que é preciso tomar cuidado ao navegar na internet. E principalmente em redes sociais e bate-papos, afinal, nunca se sabe quem estará do outro lado. Esse é o plot do livro Teia Virtual, de Carlos Eduardo R. Bonito. Na obra, um psicopata com sérios problemas mentais manipula pessoas para cometerem crimes, isto com uma visão turva de justiça. 

No caminho do vilão estão uma jornalista e uma advogada criminal, que posteriormente, juntam seus esforços ao promotor Alexandre, o protagonista da obra. No princípio, Alexandre não consegue acreditar nas duas, a ideia de um homem aliciar outras pessoas para cometer assassinatos é um tanto inverossímil. Mas, pela força das circunstâncias, ele passa a aceitar o fato.  E a caçada pelo criminoso inicia. 

A ideia do livro é interessante, apesar de não ser inovadora. O vilão convence pela própria loucura e violência. Mas, os protagonistas não. Alexandre é um chato, ultrapassado que lamenta a morte do pai e cree que seu irmão é um ingrato. Os assassinatos no começo da obra poderiam ocupar menos capítulos, afinal, eles atrasam o deslanchar da história. 

Outra coisa que estranhei nos livros foi à narração em primeira pessoa. A história é contada por pelo menos cinco personagens, o que exige que o leitor redobre a atenção. Este recurso é interessante, mas se não usado corretamente, prejudica o andamento da história. Outro cuidado que os autores têm de ter ao usarem isso, é procurar mudar a forma de escrever. Os personagens são diferentes, portanto escrevem e contam historias de maneira diferente. 

O livro vale a pena pelo vilão, violento e cruel. Uma perseguição ao homicida também seria interessante. A obra faz parte do booktour selo brasileiro!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Por favor, não deixe a dor regressar #resenha

Quando eu era mais nova e os livros não eram tão acessíveis como hoje, a sensação literária do momento  era a coleção Vagalume. Meu autor preferido era Marcos Rey. Estas obras, voltadas ao público infanto-juvenil continham histórias simples, contadas em uma linguagem acessível. Esta foi a mesma sensação que eu tive ao ler “Por favor, não deixe a dor regressar”, de Darlan Hayek Soares: algo criado para o público infanto-juvenil. O livro faz parte do booktour Selo Brasileiro. 

O livro aborda a história de Joel, um homem pobre, de origem humilde, cujo sonho era ser escritor. O patrão, um homem explorador e cruel, o envia para uma cidade, onde trabalhará temporariamente em um orfanato. Tudo para conseguir verba do governo.

  A cidadezinha é assombrada por um terror nazista. Joel conhece a inocente órfã Brunella e fica encantado com a menina. A pequena é seqüestrada pelo grupo racista. Mas, isto é só no fim. Parte da obra trata da família, do trabalho, da saída da infância. 

Os personagens são caricatos, como em parte da ficção infanto-juvenis. O patrão é um homem que repuxa o bigode dos filmes infantis. A menina tem a inocência da infância. Joel é o trabalhador explorado. 

Os diálogos são frases de amor e devoção para os pais e irmãos e soam um pouco forçado. A obra valoriza a família. Joel não poupa elogios ao pai, a mãe, as irmãs. Ele era um homem parecido com o pai, valorizava a família acima de tudo e mentia sobre o trabalho (para não magoar ninguém). Gostava de ser apreciado e se sentir um exemplo.  Pouco após a morte da mãe, começa a busca pela irmã Bárbara. 

Uma parte do livro fica como um grande nariz de cera - termo do jornalismo, para designar o que seria uma enrolação, um texto introdutório, diferente do lead. Demora um pouco para que chegue ao propósito. Eu lembro de que alguns livros da Vagalume que tinham esse “nariz de cera”. Bom, eu já cresci, e a coleção ficou para trás.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um peixe de calças jeans mostra a sensibilidade do autor


A minha primeira impressão quando peguei “Um peixe de calças Jeans e outras histórias para unir” foi  de como eu iria resenhar um livro feito para crianças. Não tenho filhos, sobrinhos... Bom, respirei fundo e encarei desafio, até porque tem uns romances infanto-juvenis que gosto bastante. A obras, de Allan Pitz,  é curtinha, mas encantadora. Ela faz parte do booktour Selo Brasileiro, que participo.

 O livro se encaixa perfeitamente no público-alvo: as crianças de 5 a 9 anos. E o tema não poderia ser melhor escolhido: o bullying. Quanto mais cedo educarmos nossas crianças, mais fácil coibirmos preconceitos e comportamentos negativos. Na obra, há cinco contos: todos enfocam que não há nada de errado em ser diferente, pelo contrário.

No conto que dá nome ao livro, “Um peixe de calças Jeans”, o protagonista nasceu com as nadadeiras deformadas, e usa o acessório para nadar melhor. Já em “Menino de Algodão”, o garoto é tratado de forma diferente pelos amigos, por ser de algodão. Quando um gênio aparece e concede um desejo, ele não deseja ser transformado em carne e osso, afinal, não há nada errado com o menino. Ao contrário, pede para que todos sejam se tornem de algodão por dez dias. E assim, as pessoas percebem como é viver daquela maneira.

Em o “Sapo que não comia mosca”, descobre-se que ajudar alguém diferente e perceber as dificuldades dos outros pode se tornar muito gratificante. No “Gigante da Goiabeira”, é abordado que não ser igual a todo mundo pode ser vantajoso. O autor tem a sensibilidade de usar um tom infantil e várias metáforas belas para conversar com as crianças. Os contos são muito bons para trabalhar em sala de aula.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Apátrida: uma polonesa que sobrevive a guerra #Resenha

Antes de começar a ler Apátrida, separe uns lencinhos de papel (ou de pano que é mais ecológico). O livro da brasileira Ana Paula Bergamasco é tão triste, quanto envolvente. Eu mentiria se não dissesse que é um dos melhores que já li. 

 A história é centrada na polonesa Irena, que também é a narradora. A moça tem uma vida simples; é agricultora e divide o pouco que tem com seus irmãos. Mas, tudo se transforma com a 2ª Guerra Mundial. Irena descobre que a realidade não é simples. Nem tudo é preto ou branco, existe um contorno cinza, que transforma alguns bonzinhos em vilões, e vice-versa. O importante é manter a mente livre de pré-julgamentos. A mulher encontra a redenção e a dor em várias passagens.

 A viagem literária inicia na infância, quando ela conhece o homem que seria o amor de sua vida: o judeu Jacob.  Aí inicia o drama, o rapaz é prometido em casamento a uma outra mulher, que segue os mesmos princípios religiosos que ele.

 Mas Irena é forte, persegue a felicidade. Na adolescência, encontra um outro homem que a fará muito feliz. Entretanto, alegria não fica por muito tempo. O poder soviético chega, seguido pelo nazista. Logo, vem a guerra, a perseguição aos judeus, aos homossexuais, aos ciganos. E também o confisco de bens e divisão da Polonia.

 O esforço para ser feliz se transformar em se manter viva e permitir que seus filhos sobrevivam ao martírio. Ela sente a fome, a dor da perda, castigos físicos. A prosa é envolvente e bem escrita.
 Fiquei entusiasmada por Ana ter escolhido os poloneses como protagonistas de sua obra. Livros geralmente enfocam os italianos. É interessante ler sobre a migração polonesa para o Brasil. 

 O livro Apátrida faz parte do Booktour que participo, Selo Brasileiro.

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